Identidade, é um conjunto de peculiaridades que identificam um indivíduo, um grupo, um lugar, uma cidade, um país. Nos primeiros séculos do Brasil, no princípio não nos víamos, éramos vistos, era imposto uma nova cultura através da catequização dos índios. De lá para cá, é claro que o Brasil desenvolveu-se muito e criou sua própria cultura, mas ainda vivemos em um mundo midiático e “catequizador”, onde a TV e a Internet ditam o que é bom e o que deve ser consumido, o que deve ser seguido, curtido e compartilhado, refletindo negativamente às culturas locais, desmerecendo e desfavorecendo o que é criado genuinamente nos núcleos culturais.

Esse é um mal na vida de todos nós Brasileiros, curtir e valorizar muito mais o que é feito fora, e o que é criado aqui muitas vezes não ficamos sabendo. Preferimos muitas vezes assistir um filme no cinema do Shopping do que assistir um filme de produção independente, preferimos assistir os Stand-up Comedy’s ao invés de prestigiar a Companhia Teatral da Cidade. Sempre tivemos como referência outros países, mas nem sempre olhamos para o que está sendo produzido ao nosso lado, prestigiar e incentivar nossos artistas.

Quando falo em “prestigiar” o movimento artístico da cidade, é importante lembrar que, esse movimento faz parte da cultura da cidade, faz parte da identidade da cidade. Já diziam os mais velhos: “Aquilo que não é visto, não é lembrado”, e o pior, é esquecido! Se não estamos olhando para o que é feito, acaba. Assim foi com muitos eventos culturais que aconteciam e hoje não acontecem mais, seria por falta de verba? Talvez. Os eventos públicos voltados para o setor artístico, como Festivais de Teatro/Dança/Música, Mostras Artísticas, e etc, são públicos! Quer dizer, são do público, e quem é esse público? Somos todos nós! E é nosso dever consumir estas atividades, se fazer presente nas ações. Os diretores das escolas deveriam dispor um dia para levar seus alunos para participar. Os Artistas locais, devem, além de prestigiar os colegas, fazer propostas ao órgão organizador, tanto de espetáculos quando de melhorias para o evento, por mais que – nós artistas – sabermos muito bem que as pessoas que organizam nem sempre são as mais qualificadas, e nem sempre estão abertas a sugestões (ou às vezes até acolhe as sugestões mas não aplicam, mas isso é assunto para um outro texto), nestes casos é resistir e de alguma forma atuar para o fomento da identidade cultural da cidade. É extremamente importante também ter esse cuidado para com o trabalho de cada núcleo cultural, seja de qual for a linguagem trabalhada, deve ser prestigiado, curtido e compartilhado, deve ser fomentado nas escolas, deve ser incentivado. Um movimento artístico e cultural (todas as linguagens) unido é muito mais forte do que segmentado, promover e participar de conversar entre artistas para pensarem juntos numa proposta de fomento à identidade cultural do município é muito importante e necessário, sair para fora da caixa é uma ação muito relevante para que possamos esquematizar o futuro sem perder tempo e trazer à conversa assuntos negativos do passado.

Até a próxima!

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Ator, estudante de produção cênica, colunista e Divulgador Cultural, Idealizador do projeto Gravataí Cultural que visa divulgar e fomentar a cultura da cidade e região. - As opiniões expressas apresentam o ponto de vista de seus autores e não refletem o posicionamento do Portal Vale7.

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